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Desde: 12/11/2004      Publicadas: 8      Atualização: 19/11/2004

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 Poesias

  14/11/2004
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Para ler e refletir.

As lembranças são muito mais que momentos, elas são marcas eternas.

“Tem gente que lê Tarô. Tem gente que lê mão. E há aqueles que, sobretudo, conseguem ler nas marcas do corpo, toda a grandeza, a majestosa história de uma vida vivida. Acho que sou desses, ainda que reconheça humildemente, também, que não sei como deve ser a sexualidade na terceira idade. Mas com certeza a ternura, o afeto e, se possível, o amor deverão ser seus companheiros fundamentais.
Pouco tempo fez, na manhã de um domingo tranqüilo e preguiçoso, ainda deitado ouvi, surpreso a pergunta: “Posso fazer uma plástica? Você acha que estou precisando? O tempo passa e eu, quero dizer, nós, ora, afinal...”
Aí me dei conta de que não éramos mais crianças, tínhamos atingido, juntos, a temida meia-idade. Definitivamente somos um casal de meia-idade, com muitos anos de alegria e angústia, partilhando as surpresas da vida. Voltei à pergunta: “Por que plástica? Por causa de uma discretíssima, imperceptível e sedutora barriguinha...? Lembra-se de quando engravidou pela primeira vez, da emoção que nos invadiu ao percebermos uma vida tão querida ir tomando forma, ocupando espaço, se delineando, chutando, pedindo para nos conhecer, para ser amada? Pois é, começou aí...
E da segunda vez, daquela menininha que nos deu tanta alegria após a dor da perda, dias antes, de um ente querido? Pois são estas imperceptíveis estrias que estão nos fazendo recordar todas essas coisas, e, então por que eliminá-las? Elas, as estrias e gordurinhas, contam a história de nossas vidas, das vidas que geramos e que hão, se Deus permitir, de gerar outras vidas e chorar as nossas, quando partirmos. Seu corpo, assim como está, é o meu, o nosso diário, que começamos a escrever na própria pele, quando nos conhecemos. Seu sorriso, agora, traduz compreensão, amizade e indisfarçável cumplicidade. Afinal, nos amamos, nos entendemos e, principalmente, nos conhecemos. O busto? Ora, é de mulher, é lindo; alimentou, deu vida e, garanto, foi desejado pelos nossos filhos tanto quanto por mim, embora por motivos diferentes... Agora ele é só meu, descanso tenro de minha cabeça grisalha. A plástica, pode fazer, mas com ela apagaremos a história de nossas vidas cuja memória, então, só teremos no coração”.


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